O DCIAP (Departamento Central de Investigação e
Acção Penal), liderado pela procuradora Candida Almeida, está a
investigar o processo “Monte Branco” desde Junho de 2011, um caso de
fraude fiscal e branqueamento de capitais que já levou à detenção, em
maio, de quatro banqueiros portugueses e suíços e um cambista.O
caso começou a ser investigado "tendo por base factos identificados na
investigação do caso BPN e factos descobertos por via da prevenção do
branqueamento de capitais", segundo o DCIAP. O banco, nacionalizado em
2008 e reprivatizado este ano, custou mais de 3,4 mil milhões de euros
aos contribuintes portugueses.
Além dos cinco detidos, várias
personalidades da vida política, económica e desportiva portuguesa já
foram ouvidos, citados e apanhados nas malhas do processo “Monte Branco”
que é considerado o maior caso de fraude fiscal e branqueamento de
capitais de sempre em Portugal.
Caso Monte Branco: Quem é que já foi ouvido, citado e apanhado
Michel Canals e Nicolas Figueiredo
- Ambos administradores da empresa suíça Akoya Asset Management, os
gestores de fortunas foram detidos em Maio e posteriormente libertados
em Outubro.
Os dois arguidos, assim como os outros dois que
estiveram em prisáo preventiva, são suspeitos de terem montado uma rede
para fugir ao fisco e branquear capitais. Esta rede foi utilizada por
pessoas influentes em Portugal, como advogados, políticos, empresários,
futebolistas, autarcas e industriais interessados em fugir ao fisco.
José Maria Ricciardi com Passos Coelho e Miguel Relvas
– O presidente do BESI foi colocado sob escuta pela Polícia Judiciária
entre Setembro de 2011 e Fevereiro deste ano no âmbito da investigação
ao caso Monte Branco. Nas escutas ao banqueiro foram apanhadas conversas
com o primeiro-ministro e com o ministro dos Assuntos Parlamentares.
Nos telefonemas, Ricciardi falava com Passos Coelho e com Miguel Relvas
sobre o processo de privatizações em curso.
A Procuradoria Geral Da República anunciou que "não existem nos autos
quaisquer suspeitas da prática de ilícitos de natureza criminal" sobre o
primeiro-ministro, Passos Coelho. Também os três intervenientes negaram
qualquer tipo de ilegalidade cometida durante os telefonemas, sendo que
nenhum foi constituído arguido.
Ricardo Salgado – À
semelhança de José Maria Ricciardi, o líder do BES também foi alvo de
escutas durante a investigação ao processo “Monte Branco” mas não foi
constituído arguido.
Manuel Vilarinho – O antigo
presidente do Benfica é suspeito de fraude fiscal e branqueamento de
capitais. Segundo o Correio da Manhã de hoje, a casa e a imobiliária de
Vilarinho foram alvo de buscas pelo Ministério Público e por agentes da
inspecção tributária.
Medina Carreira – O antigo ministro
das Finanças também viu a sua residência ser alvo de buscas durante o
dia de ontem. “Apareceram as autoridades hoje [ontem] em minha casa com
um mandado de busca. Viram tudo o que quiseram ver mas não encontraram
nada. Nem podiam encontrar", afirmou o economista. "Não faço ideia em
que circunstâncias surgiu o meu nome. Tenho ligado pouco ao caso, não
conheço sequer nenhum nome envolvido. Não tenho nada a ver com o
negócio".